O DIA SEGUINTE
Ainda estou triste demais.
Já passei por altos e baixos, crises de choro e momentos de conformação, mas não sei ainda se já acabou.
Já quis mudar de casa pelo simples fato de não suportar a idéia de ter alguém morando do lado que seja capaz de uma atrocidade dessas...
Minha noite foi horrível. Se caísse um alfinete no chão, eu pulava da cama e saía correndo pra olhar o Lucky, o único que sobrou.
Eu tinha três cachorros. Mãe, filho e filha. Poodle, branquinhos.
As duas fêmeas, Baby e Lully, uma de 14 anos, outra de 7, ficavam no quintal atrás da minha casa, totalmente isoladas da rua e com um muro de mais de 3 metros de altura cercando. O macho, fica na varanda da frente, "vigiando" a entrada.
O muro faz divisa com o terreno de 3 casas, não há outro meio de chegar até lá sem passar por elas.
Mas o depoimento de todos os vizinhos foi bem convincente.
O de trás era o único que não conhecíamos, portanto o maior "suspeito". Mas chegando lá, vimos que ele tem 5 cachorros, o vizinho de um lado dele, 10 gatos e 3 cachorros, e do outro também tem cachorro. Não fez o menor sentido alguém que gosta de bicho fazer isso. Se estivesse incomodando, porque escolheria justo as minhas???
Os vizinhos do meu lado direito têm uma gata que é o xodó deles. Se acontecer alguma coisa à Lindinha, eles têm um troço. Também não faz sentido fazer isso.
Os vizinhos do lado esquerdo não têm animais, mas são amigos da minha família e frequentam a minha casa há anos. Me doeu muito pensar nessa possibilidade, mas quando contamos, ela chorou junto pela perda. E jurou que nunca teria coragem de fazer isso com um bicho, ainda mais conosco.
Ainda inconformada, tento acreditar que o que aconteceu foi uma sucessão de coisas improváveis, uma atrás da outra.
A versão mais cogitada é que um gato - da casa dos 10 gatos que têm o costume de invadir as casas vizinhas - era o verdadeiro alvo do veneno, pegou a coisa envenenada, foi pular no meu muro e deixou cair. Lully espertinha, catou e comeu. E a Baby, já cega de tão velhinha, da maneira mais improvável possível, mesmo assim, conseguiu encontrar a tal coisa e comer também. Era noite, ninguém viu as bichinhas passando mal... e o resto vcs já sabem...
Não consigo esquecer a cena da minha cachorrinha lá, contorcida no chão...
Não me conformo com a idéia de não ter visto, ouvido, não podido fazer nada pelas minhas duas meninas...
Que sensação horrível de impotência!
Mesmo elas não sendo o verdadeiro alvo, que sensação de revolta uma cachorrinha de 14 anos morrer de algo que não seja natural.
É muito comum as pessoas fazerem isso, se o bicho tá incomodando, dá chumbinho e mata. É só um animal mesmo, não é gente.
Eu não penso assim. Não acho que só porque não é gente, não tem direito à vida.
Mas minha cunhada falou uma coisa que me fez muito sentido.
"Quem não gosta de bicho, não gosta nem de gente!"
Se gostasse de gente, pensaria na conseqüência, no sofrimento que aquela perda iria causar a um ser que ele chama de "gente", e acha que merece mais consideração que um pobre animalzinho indefeso.
Deus me perdoe por todos os pensamentos ruins que tive.
Mas estou certa de que a pessoa que fez isso, viverá envenenada senão pelo mesmo veneno, mas pelo veneno do remorso, senão, por qualquer outro veneno, que a Vida há de lhe colocar pelo caminho.
Que essa tristeza passe logo... Que um dia eu possa dormir tranquila novamente... Que nada de ruim aconteça de novo...
Desculpem o desabafo deprê, mas essa é a vida real!
1ª META
Até 30/08/2007 - IMC normal
sexta-feira, fevereiro 10, 2006